Você sabe o que é ANORGASMIA?

Por Magali Marino

Por  receber no consultório um número cada vez mais significativo de pessoas com queixa de disfunção sexual, resolvi realizar uma série, de quatro semanas, com publicações referentes a algumas disfunções que acometem tantas pessoas e geram vários transtornos à vida.

Começarei com esse texto sobre uma das disfunções sexuais que atinge um grande percentual da população brasileira, principalmente de mulheres, a Anorgasmia.

Você tem ausência ou dificuldades para chegar ao orgasmo, ainda que estimulada adequadamente, durante a relação sexual ou a masturbação? Se esse fato é recorrente e afeta sua vida sexual, você pode está sofrendo de Anorgasmia.

O tratamento deve começar a partir do diálogo do casal. É fundamental  conversar sobre o assunto e que exista  cumplicidade para tentar  resolver as dificuldades. Uma mulher que sofre de anorgasmia e tem a compreensão e acolhimento do(a) parceiro(a), tem grandes chances de tratar e recuperar a sua função orgásmica, importante para a qualidade de vida do casal.

Para compreender do que se trata essa disfunção é importante definir  o que é o Orgasmo. No dicionário de Michaelis encontrei  uma definição que acho bastante interessante, diz: “Orgasmo vem do grego – orgázon, de orgân, que significa ferver em ardor, é definido como o mais alto grau de excitação sexual, e  portanto o prazer físico mais intenso que um ser humano pode experimentar.

O contrário do orgasmo é a  Anorgasmia, tipo de disfunção onde o Desejo muitas vezes se faz presente, porém tem  como queixa a impossibilidade de atingir uma excitação sexual a ponto  de chegar ao orgasmo, isso pode acontecer  em algumas tentativas ou em qualquer situação. Pode acontecer em  todas as faixas etárias, com parceiro(a) ou na masturbação, gerando sofrimento e angústia pela impossibilidade de realizar o clímax sexual. Nos homens podem aparecer sintomas de dor nos testículos, nas mulheres pode vir acompanhada de dores no baixo ventre  e no ânus, esses incômodos acontecem devido a energia sexual  ficar acumulada nessas regiões. Mesmo uma pessoa não sendo anorgásmica, quando não conclui o orgasmo, pode sentir esses desconfortos pelo acúmulo de energia que se transforma em tensão corporal.

As pesquisas indicam que a maioria das causas da Anorgasmia são de cunho psicológico, relacionados à história de vida, crenças, valores, falta de informações sobre sexualidade, ansiedade e expectativas, bloqueios e traumas em algum momento da vida (experiência de abusos e violência sexual), falta de intimidade com o corpo, respiração contida.

O diagnóstico da Anorgasmia é referente a quatro situações:

  • Primária: a pessoa nunca teve a experiência de sentir um orgasmo;
  • Secundária: costumava sentir orgasmos, mas passou a ter dificuldades;
  • Situacional: o orgasmo só não é obtido em algumas situações, como durante o sexo vaginal ou com um determinado parceiro (a), mas o prazer ocorre normalmente durante a masturbação ou sexo oral, por exemplo;
  • Generalizado: incapacidade de sentir orgasmo em qualquer situação.

Tratamento que indico para a  Anorgasmia:

  • Psicoterapia em Análise Bioenergética, eficiente por trabalhar a respiração e os bloqueios das couraças corporais, responsáveis pelas dificuldades na área da sexualidade;
  • Exercícios de Pompoarismo para estimular e intensificar a consciência corporal e a excitação;
  • Masturbação para saber  os pontos sensíveis e de excitação do próprio corpo;

Muitas vezes existe o interesse da mulher para praticar o sexo, ela tem respostas satisfatórias para realizar o ato, aproveita as carícias, se excita mas sente dificuldade em chegar ao clímax orgástico. Essa negação do prazer sexual está relacionada às defesas psíquicas inconscientes, por isso é fundamental o tratamento psicoterápico.

Até muito pouco tempo era retirado da mulher a possibilidade de expressar seus desejos sexuais e a obtenção de prazer sexual. Ainda hoje apesar da luta para derrubar tabus e mitos sobre a sexualidade, ainda temos uma cultura muito repressora, com conceitos moralistas, principalmente para o prazer feminino, Esses fatores levam  a mulher à contenção e bloqueio corporal de intensidade, com medo de se entregar e vivenciar o prazer através do sexo.

Em grupos que realizo com mulheres de várias idades, das jovens as mais velhas, existe uma prática de algumas que relatam fingir o orgasmo (esse número é significativo ).  Algumas referem como motivo:

  • Não se excita na penetração e com isso não lubrifica a vagina, causando desconforto. Constrangidas para  conversar com o parceiro fingem que gozou, na maioria das vezes, para satisfazê-lo.
  • Por vergonha ou para poupar o parceiro(a) não revelam sua insatisfação sexual.

Não importa o motivo, mas esse comportamento é muito prejudicial para a mulher. O trabalho de grupo é importante para que se possa dialogar sobre o tema e encontrar novas perspectivas de vivenciar a sexualidade com prazer e qualidade de vida, como tem que ser.

A SEXUALIDADE DEVE ACONTECER PARA PROMOVER PRAZER E NÃO SOFRIMENTO

É importante, também, que  seja identificado pelo casal se realmente a mulher tem Anorgasmia ou se o parceiro não realiza as preliminares de forma satisfatória. É fundamental que a mulher  conheça o seu corpo, realize a masturbação para que possa ter esse diagnóstico com mais precisão.

Vale ressaltar que nem sempre ereção e ejaculação masculina significa que o homem teve orgasmo. Tem homens que se excitam, que ejaculam,  sem chegar a resolução orgástica, é importante também que nesses casos procurem ajuda psicológica.

Se você sofre de alguma disfunção sexual, seja homem ou mulher, não se culpe, procure tratar e ser feliz!

 

*Se quiser comentar ou tirar dúvidas escreva nos comentários abaixo ou no blogasmo@gmail.com

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Magali Marino – Psicóloga, Psicoterapeuta Corporal em Análise Bioenergética, Sexóloga e Mestra em Design Estratégico.

 

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