VAGINISMO: A Dor Silenciosa

Por Magali Marino\co participação Alyne Macedo

Foi ensinado às mulheres Calar diante da Dor e do Prazer! Assim elas Silenciam quando vivem  o Vaginismo! Silenciam como silenciaram muitas meninas que foram abusadas,violentadas e seduzidas por adultos quando crianças e adolescentes. Muitas continuam em silêncio diante do sofrimento psíquico e corporal que é causado pelo Vaginismo.

A essa disfunção sexual confere diagnóstico de  uma intensa rigidez e contração  involuntária nas paredes da vagina que impede ou dificulta qualquer tipo de penetração. Nesta disfunção também existe um forte bloqueio nos músculos adutores (músculos da coxa), também denominados “músculos da virgindade” e nos músculos das nádegas, ou seja, toda a região pélvica está fortemente bloqueada. Porém as dores ficam evidentes no orifício da vagina. Algumas mulheres que sofrem de vaginismo conseguem ter prazer na relação anal e orgasmo clitoridiano. Outras relatam que conseguem deixar o companheiro penetrá-la, mas não é uma situação prazerosa devido ao incômodo da dor. O que eu costumo dizer é que Sexo tem que vir acompanhado de Prazer, por isso é importante  que a mulher quando sente incomodo na penetração busque outra forma de realizar o ato sexual,  até que a disfunção seja tratada. Não faça só para agradar!

VAGINISMO DURANTE A RELAÇÃO SEXUAL

A estatística diz que  de 1 a 6% da população feminina sexualmente ativa sofre de vaginismo, porém acreditamos que esse número é mais elevado e não registrados por algumas mulheres sentirem vergonha de procurar tratamento ou ainda por provedores de saúde normalmente não relatarem dados estatísticos das mulheres que especificamente procuram ajuda devido a problemas de penetração vaginal.

Alguns profissionais da saúde não dão a devida importância que essa disfunção requer e não estimulam o tratamento. É importante estimular as mulheres para não  se acomodarem à situação, muitas apresentam um certo conformismo devido à culpa e ao estigma que “mulher nasceu para sofrer”, ainda no inconsciente coletivo de muitos homens e mulheres até os dias atuais.

Mas por que esse conformismo? Dentre muitas explicações que circulam quanto a origem e manutenção desse processo, percebe-se no silenciamento de tantas mulheres uma forte influência cultural das posições sugeridas pelo patriarcado, que torna as possibilidades do corpo feminino e o desenvolvimento de sua sexualidade algo oculto e não possível de exploração.

A educação moralista, traumas e\ou abusos sexuais promovem uma rigidez pélvica que, de forma inconsciente, provoca uma recusa da sexualidade genital, pelos medos de julgamentos alheios. A mulher  não consegue relaxar para se entregar ao prazer sexo-genital, muitas descrevem sua vagina como “morta” ou “vazia”. Entre outros fatores, é muito comum o vaginismo aparecer em mulheres após o marido ter relações extraconjugais, uma espécie de punição ao homem ou por culpa pelo desejo de viver experiências fora do casamento, ambos inconscientes.

Não há idade para aparecer o vaginismo desde adolescentes até mulheres que já passaram dos 50 anos, no pós-parto, na menopausa ou depois de cirurgias pélvicas. Para o psicanalista Wilhelm Reich as experiências de dor e de alegria vão sendo registradas na nossa musculatura. Quanto mais situações traumáticas relacionadas à sexualidade, mais as tensões e bloqueios de energia vão promover doenças psicossomáticas e disfunções sexuais. Logo, para além de questões sociais de uma perspectiva de separação de gêneros tão bem demarcadas (contudo ainda sem desconsiderá-las), podemos observar também, esse fenômeno como consequência de traumas vinculados a violências de estupros, mutilações genitais, relações anteriores violentas e/ou invasivas, exames pélvicos traumáticos, abuso sexual e entre outras ações que podem, em muitas vezes, não só apenas desenvolver esse processo danoso a algumas mulheres, mas silenciar psiquicamente essas dores e sofrimentos.

É importante que os conteúdos do inconscientes sejam considerados tanto  à luz do pensamento como da postura corporal, para que aconteçam os  desbloqueios das couraças. Temos  como resultados significativos para o Vaginismo, assim como outras disfunções sexuais as práticas dos exercícios de Kegel, exercícios de respiração e massoterapia. Desse modo a Psicoterapia vinculada a estas  técnicas corporais referidas, tem tido grandes contribuições com resultados eficazes relacionados a esse quadro.  

Compreender que a vida afetiva e social de mulheres que vivem o  vaginismo é o  principal alvo de sofrimento e  ausência do encontro com o prazer é primordial para que os profissionais da saúde se sensibilizem e estimulem as pacientes à busca de  uma  construção e elaboração de um plano terapêutico. A orientação e resgate do vínculo dessas mulheres aos companheiros\as (quando em relacionamentos fixos) são suportes norteadores aos casos, assim, como a condução de exercícios que podem ser elaborados sozinhas ou em união com a/o  cônjuge.
Evidencia-se a importância de profissionais da saúde estarem sensibilizados ao sofrimento de mulheres com Vaginismo para  que orientem e guiem essas mulheres quanto a esse processo de tratamento, sabendo que essa disfunção é de cunho psicológico, na sua grande maioria, e que tem cura. Informação e cuidado são palavras essenciais à trajetória terapêutica desse (re)encontro tão prazeroso das mulheres  com seus corpos e histórias.

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Se você sofre de alguma disfunção sexual, seja homem ou mulher, não se culpe procure tratar e ser feliz!

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Magali Marino – Psicóloga, Psicoterapeuta Corporal em Análise Bioenergética, Sexóloga e Mestra em Design Estratégico.

 

2 thoughts on “VAGINISMO: A Dor Silenciosa

  1. Parabéns pelo texto pela importância e firma simples mas aguçada em expor. Quisera outros profissionais tb fizessem assim. Tomara mta gnt possa ler e se beneficiar. Sucesso sempre! Betinha

    1. É uma honra para mim uma profissional da sua qualificação fazer observações tão valiosas sobre o nosso texto. Grata, minha querida.

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