Você sabe a diferença de Desejo Sexual e Compulsão Sexual?

A atração física é algo muito mágico, quando você olha para alguém e o coração dispara, os olhos brilham, as pernas perdem a força, todas essas sensações podem estar  desvinculadas  do sentimento de amor. Essa sensação  é o que chamamos de atração sexual que  pode vir acompanhada ou não de afetividade. Mas afinal,  libido e excitação quando acontecem são  iguais  a todas as pessoas? A resposta é não!

Algumas pessoas expressam o desejo sexual com mais entusiasmo e intensidade  que outras, isso  vai depender da disponibilidade interna de se permitir vivenciar aquele desejo e o quanto de energia da libido a pessoa dispõe para que o organismo libere  substâncias necessárias para  o tesão entrar em cena. Muitas vezes existe a vontade de se jogar, porém  alguns fatores internos ou externos podem ser impedidores naquele momento e as pessoas se veem obrigadas a adiar  a ação. Algumas vezes o desejo é tão intenso que não há como adiar e as pessoas se jogam na experiência.  Quem já não viveu uma história dessas, um momento de desejo arrebatador? Tudo isso faz parte dos jogos e desejos sexuais. Devem ser vividos naturalmente com a disponibilidade pessoal de cada pessoa de se lançar às experiências.

Hoje, porém,  vou trazer  aqui na nossa coluna do Blogasmo  uma forma de viver o sexo que não é nada prazeroso. Pessoas que sofrem de um transtorno que chamamos de Apetite  Sexual Excessivo (ASE) ou Compulsão Sexual. Quem tem esse transtorno vive a sexualidade de forma compulsiva, cheia de remorso, culpa e sofrimento. Na  busca de  suprir a excitação e tensão  sexual causam  danos psíquicos e corporais a si e muitas vezes a outras pessoas da convivência. Quando a sexualidade passa a ser diagnosticada como transtorno é importante  ser tratada psiquicamente para redução do sofrimento.

 

Importante dizer que uma pessoa que tem uma libido exacerbada, uma vida sexual bastante ativa ou que muda com freqüência de parceiros, isso não quer dizer, necessariamente, que essa pessoa tenha  transtorno na sua sexualidade, mesmo a Ninfomania e a Satiríase que são vícios  sexuais, não estão relacionados aos transtornos obsessivos compulsivos, o vício está associado a uma atividade prazerosa e dificuldade em conter impulsos.

 

A compulsão sexual é chamada na psiquiatria de  transtorno por Apetite Sexual Excessivo (ASE) ou Impulso Sexual Execessivo (ISE),  onde a pessoa passa a não ter autocontrole sobre a sua excitação e busca satisfazê-la de imediato, não medindo as conseqüências dos seus atos, causando sofrimento físico e mental.   A pessoa pensa compulsivamente sobre sexo tendo  que realizá-lo de imediato, sem levar em consideração as conseqüências e os danos posteriores.

As características do comportamento de  Compulsão Sexual é a masturbação realizada de forma exacerbada chegando a ferir, muitas vezes, os órgãos sexuais, consumo intenso  de pornografias e relações sexuais de forma indiscriminada.  Esse transtorno, por várias vezes leva a pessoa a abandonar o trabalho em busca de realizar seus impulsos  sexuais e por isso tem sérios prejuízos na vida profissional.

Essa compulsão acontece na maioria dos casos no sexo masculino, (sexo feminino em menor percentual), no final da adolescência  e começo da vida adulta. Crianças ou adolescentes que  passaram, em grande parte, por abuso sexual e violência doméstica  e tem uma predisposição genética (pai|mãe com sintomas de compulsão, podendo ser em outras áreas). Esses dois aspectos podem ser desencadeadores da compulsão sexual na vida adulta. Outros traços apresentados de compulsão sexual, são os sentimentos de inferioridade, vergonha, necessidade de reconhecimento, uma forte carência emocional e afetiva que  levam a  fantasias e impulsividade em excesso. Essas vivências sexuais podem levar a danos na vida familiar, profissional e nas relações interpessoais. São pessoas com mais possibilidades a contrair doenças sexualmente transmissíveis DST\HIV

Os aspectos  observados em pessoas com Apetite Sexual Excessivo (ASE) são:

  • Necessidade de práticas sexuais mais freqüentes e intensas para obter as satisfações iniciais, com culpa e sofrimento após a realização do ato;
  • Buscas mal sucedidas de controle do comportamento sexual, com gastos exacerbados de tempo e energia com o sexo;
  • Sintomas de abstinência (  depressão, tristeza, angústia, autopiedade) quando tenta diminuir ou parar o comportamento sexual compulsivo, gerando culpa e sentimento severo de frustração;
  • Muito tempo e energia gastos com pensamentos e ação na realização da compulsão;
  • Continuação do comportamento sexual compulsivo, apesar das conseqüências negativas e transtornos na vida da pessoa.
  • O  transtorno por compulsão sexual gera tanto sofrimento quanto as outras compulsões como: distúrbios alimentares (anorexia alimentarbulimia), compulsão ao álcool e outras drogas, compulsão a jogos.
  • Tendências a quadros de depressão, transtorno afetivo bipolar, impulsos auto agressivos incluindo tentativa de suicídio

A pessoa com compulsão sexual, normalmente procura tratamento após sete anos de vivência do transtorno e muitas vezes por inibição não buscam ajuda.

Porém, tanto o tratamento medicamentoso, como a psicoterapia são fundamentais para tratar os sintomas e minimizar o sofrimento. O apoio de familiares  e no trabalho  é muito importante para que a pessoa possa ser  ajudada, sem discriminação, pois a compulsão sexual tem sintomas que são desastrosos e danosos para a saúde mental de suas vitimas. Quanto mais cedo iniciar o tratamento, melhor serão os resultados. Quando a pessoa deseja realmente mergulhar no tratamento ela poderá sair da compulsão e encontrar novas formas de viver a vida.

O importante é tomar consciência que a sexualidade faz parte da vida e deve ser vivida com Prazer e não com sofrimento e desconforto.

 

*Se quiser comentar ou tirar dúvidas escreva nos comentários abaixo ou no blogasmo@gmail.com

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Magali Marino – Psicóloga, Psicoterapeuta Corporal em Análise Bioenergética, Sexóloga e Mestra em Design Estratégico.

 

 

 

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