DISFUNÇÃO ERÉTIL: Uma Quebra Narcísica


Por Magali Marino

Meninos foram criados para mostrar o seu “Poder”, sua “superioridade”, através do tamanho e potência do seu falo. Essa condição vai sendo introjetada nos homens, desde que são crianças, estimulados a mostrar seu”talo que um dia pegará a flor”. Assim referem os adultos quando falam  do pênis do menino, ainda na infância. Esse discurso narcísico do legado à  potência masculina, ditadora de uma cultura patriarcal, estabelece uma norma a ser cumprida.

O processo de mudança, onde a igualdade de gênero vem  se fortalecendo nas relações afetivo-sexual,  promove ao homem um desconforto frente ao novo papel da mulher que toma iniciativas se colocando, também, com o poder de expressão do que quer e como gosta nos encontros sexuais. Esse novo formato gera uma quebra narcísica da potência masculina. O jovem, nas suas primeiras experiências sexuais, (hoje raramente com profissionais do sexo e sim com relacionamentos casuais, de “ficantes” ou relações de namoro), pela ansiedade na expectativa da atuação, muitas vezes, não conseguem ereção até a resolução orgástica gerando frustração e medo de novos insucessos. Por guardarem para si esse “segredo” não ficam sabendo que essa situação é normal e faz parte de, pelo menos, 50% da população masculina. Muitas vezes essa marca vai ficar registrada levando o homem a desenvolver uma ansiedade e possível disfunção sexual.

Entre as disfunções sexuais masculinas, destacamos a  disfunção erétil, vista como um problema da potência sexual há pelo menos quatro milênios. Essa disfunção tem crescido, mas em todas as épocas foi motivo para abalar a masculinidade do homem. Os escritos de textos sagrados orientais já referem a busca de remédios naturais afrodisíacos para combater a ameaça da impotência fálica.

A super valorização ao falo teve início no patriarcado quando o homem descobre que a mulher só procriaria com a sua participação no ato sexual. A partir desse olhar houve a criação de ritos em torno da potência masculina. Na religiões pagãs, por exemplo,  havia cultos ao falo para livrar o homem da incapacidade da esterilidade e da impotência. Nessa época o desempenho sexual do homem, e a falta dele, estavam associados a maldições e superstições.

Na Idade Média a figura feminina passa a ser um álibi aos males da civilização: o aborto, a esterilidade e a falta de potência masculina estão relacionados às feitiçarias onde a igreja, através da inquisição, perseguia algumas mulheres denominadas bruxas (feiticeiras) por “terem responsabilidade por esses males da humanidade”, entre eles a disfunção erétil do homem.

Porém, no século 20,  as disfunções sexuais passam a ser vistas com base na ciência, analisadas à luz da psicanálise. Nesse contexto as situações relacionadas aos aspectos psicológicos e fisiológicos serão ainda mais fortalecidos a partir da década de 50, quando se ampliam as terapias sexuais relacionadas ao comportamento e às questões corporais como pontos importantes a serem tratados.

Levantarei aqui alguns aspectos característicos da Disfunção Erétil no que se refere à predisposição, fatores que precedem à situação e outros que passam a ser recorrentes, nesse quadro:

Predisposição que interferem nas questões psicogênicas

  • Alguns homens tem características da personalidade que estão mais vulneráveis à Disfunção Erétil (DE) que outros;
  • Uma formação cultural e religiosa rígida, desde a infância, estabelece forte repressão sexual, vinculada à sentimentos de culpa;
  • Educação machista associada a não falhar na potência fálica, pode desencadear expectativas fantasiosas tanto no homem como na mulher;
  • Mães sedutoras e manipuladoras, com excesso de afeto, podem intensificar os conflitos édipicos dificultando a saúde sexual do filho na vida adulta;
  • Falha na potência erétil, principalmente na juventude, pode gerar ansiedade e medo de não corresponder às relações sexuais subseqüentes;
  • Passividade do homem mediante humilhação da parceira em encontros sexuais;
  • Estresse, dificuldades financeiras, desemprego podem levar a baixa auto estima e dificuldades de ereção peniana;

Predisposições relacionadas à Disfunção Erétil (DE)

  • Doenças de causa orgânica como hipertensão arterial, diabetes, entre outras, podem ser precipitantes para uma doença psicogênca;
  • A ansiedade, depressão e medicações antidepressivas são inibidores da potência erétil;
  • Medo de falhar por temer não atender as suas expectativas fantasiosas e da\o parceira\o;
  • Culpa por infidelidade no início do relacionamento pode predispor a DE;
  • Homens mais velhos que precisam ser estimulados por período de tempo maior e não sentem disponibilidade d\a parceira\o;
  • A constante troca de parceira/o por não se sentir “aceito” pode provocar insegurança e diminuição da atividade erétil;

 Fatores Recorrentes

  • Falha anterior leva a um aumento nos níveis de ansiedade que intensificam a inibição da função sexual;
  • Uma educação sexual rígida e repressora na infância poderá se repetir na vida adulta, com visão inadequada das fantasias e desejos sexuais;
  • Constantes situações de discussão sem resolução dos problemas sexuais;
  • Encontros sexuais com recorrentes falta de desejo pela\o prceira\o;

Diferente das mulheres, que normalmente se desmotivam diante do quadro de uma disfunção sexual, os homens, na sua grande maioria, buscam trocas de parceiras para testar sua potência. É só na recorrência da não obtenção de  sucesso na função  orgástica que procuram tratamento médico.

O empenho do médico em conscientizar o paciente para a busca do tratamento psicoterápico é fundamental, mesmo que a disfunção esteja associada a doenças crônicas como hipertensão arterial, diabetes, entre outras, visto que estas também estão associadas ao estresse, condições emocionais, familiares e sentimentos de menos valia.

Hoje, com as medicações para estimulação da potência erétil, muitos pacientes e mesmo os médicos se limitam à resolução funcional do tratamento. É importante que médico\paciente estejam conscientes que o remédio para combater a disfunção erétil não trata os bloqueios psíquicos. Uma quantidade expressiva de homens que utilizam a medicação terminam fazendo, da mesma, uma tábua de salvação criando uma dependência emocional no trato com o remédio.

A maior parte da procura de tratamento psicológico  para o problema da Disfunção Erétil acontece quando o homem entra em contato com a frustração no seu desempenho sexual, o que vai provocar angústia e ansiedade nas sucessivas experiencias posteriores. Esse sofrimento pode ser  impulsionador para o desejo de mudança e busca de ajuda.

Não se permita o conformismo e a desesperança. Busque a saúde sexual como um dos aspectos da sua qualidade de vida, não se acomode, TRANSFORME!

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Magali Marino – Psicóloga, Psicoterapeuta Corporal em Análise Bioenergética, Sexóloga e Mestra em Design Estratégico.

 

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